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quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

RODAMOINHO



Toques suaves de uma brisa doce tocam o rosto que, com os olhos fechados, vêem o céu. Gabriel sente apenas o doce momento de estar aonde gostaria de estar.

Sua vida passa por momentos tempestuosos. Nem sempre o destino segue um rumo imaginado e, muito menos, achamos colo quando queremos chorar.

Do alto do monte, Gabriel vê mais do que casas ou edifícios. Vê horizontes. Não vê apenas pessoas caminhando de um lado para outro. Vê escolhas. Não são carros ou ônibus, mas caminhos com destinos.

Não sabe do tempo. Não veio procurá-lo. Não sabe dos erros ou acertos. Não veio contabilizá-los. Não sabe o que acontecerá após um minuto. Não interessa. Gabriel veio apenas sentir a brisa que acalanta seu corpo e que, às vezes num gesto mais forte, busca suavizá-lo.

Tem dias que dá vontade de não ser eu mesmo. Tem dias que todos os ventos sopram contra. Tem dias que todas as lágrimas decidiram buscar suas liberdades. Tem dias que há dias que nem parecem dias de se viver o dia.

Gabriel eternizava os minutos. Fechava os olhos para um dia nublado. Sentia o vento se tornar frio, mas não tão frio quanto frio estava seu coração. Talvez a brisa seja o único remédio para curá-lo ou para ordenar pensamentos que, como fumaça, decidiram seguir um caminho qualquer.

Sinta o riso do sorriso maroto e a energia sendo aspirada do vento. O carvalho permanece no mesmo lugar e, como imagens em 3D, passado se funde ao presente. O vento balança folhas que lembram outras folhas de um mesmo carvalho de uma outra era. Que nunca foi o que era e já era o ter sido.

Figuras em 3D escrevem no carvalho. Marcas que o tempo fez questão de deixar. E o vento sopra como soprou em outros dias: amigo. Gabriel eternizou seus minutos e o ar que voa sabe que ele é o maior responsável. Lembranças lembradas com a saudade de serem esquecidas.

Esquecidas num tempo que esquece de lembrar o que tanto já foi ou já era.

Num longe próximo o caminhar sereno e os cabelos soltos transformam 3D em real. Em alguns segundos, olhares despretensiosos encontrarão outros que, de tão despretensiosos, o que poderiam pretender?

Um suave sorriso na face energizada de Gabriel mostra que tudo que foi permanece sendo o que era, na intenção clara que não ser o que não pode ser e, nem de imaginar, o que imaginando, não poderia se tornar.

Carol vê.

Não vê mais.

Gabriel já foi, sabendo que poderá ser o que deseja ser. De ser o que continua sendo. Sendo mais do que é. Ele não precisa entender a si. Precisa apenas compreender que nem sempre o era se foi, mas sempre o é se faz presente aqui, assim como aqui é o início de um amanhã que sempre se tornará passado e assim sendo, já era.

Riva Moutinho, hoje (06/10/2006) que já era amanhã

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

EU INDICO: O Filme "O Dia em que a Terra Parou"

O Dia em que a Terra Parou gravado em 2008 e lançado no início deste ano aqui no Brasil é uma regravação de 1951 baseada no conto de Harry Bates.

Claro que há algumas diferenças com o original de 1951, o que na minha opinião não afetou a estrutura do filme. Ao contrário do que se possa imaginar, O Dia em que a Terra Parou nos faz pensar sobre o mal que fazemos insistentemente ao planeta Terra e é por causa disso que Klaatu (Keanu Reeves) vem ao planeta: coletar amostras de todos os seres vivos existente (um tipo Arca de Noé high tech) e destruir os causadores da destruição da Terra: nós.

Um dos pontos que achei interessante neste filme, entre outras coisas, foi a frase: "À beira do precipício as pessoas mudam." Este foi o raciocínio utilizado pela personagem de Jennifer Connelly, Helen Benson, a fim de convencer Klaatu a não destruir os seres-humanos.

De fato, o ser-humano quando ameaçado altera seu modo de viver, de pensar, de agir... enfim... O Holocausto alterou os judeus, os alemães, o mundo. O atentado de 11 de setembro nos Estados Unidos alterou, em alguma coisa, os americanos e, de determinada forma o mundo. As epidemias como Aids, Ebola, o H1N1...

O ser humano quando sente na pele sua fragilidade sendo ameaçado por qualquer coisa que seja, ele percebe que é possível alterar seu estilo de vida, seu modo de pensar e de agir, enfim... é possível ir por um outro caminho.

Há algum tempo atrás falar sobre os cuidados que se deveria ter com o meio ambiente era conversa fiada, hoje, a cada dia que passa, o tema tem ganhado reforço e atenção, uma vez que todos começam a sentir na pele os resultados destas alterações: El Niño, o Katrina, o Tsunami, os incêndios cada vez mais frequentes e devastadores por causa do clima quente e seco.

Sem dúvida o filme nos convida a uma reflexão, mas como sempre, poucos gostam de pensar em seus próprios erros.

Fica aí minha indicação.

Abraços

Riva Moutinho




quarta-feira, 25 de novembro de 2009

MURALHA


Veja só o que é a vida, apenas veja...
Veja só o que são sonhos, apenas veja...
Veja apenas, e tão somente, o mundo a sua volta
Veja e reveja o seu mundo interior.

Palavras incompletas em momentos abstratos
Sonhos volúveis em concretos secos, isolados
Olhando de fora parece pequena e frágil
Daqui de dentro a idéia é outra

E o sol vai brilhar... Mais uma vez
Como sempre. Ainda bem!
Mas não sei se ainda aprendi a viver aqui
Não sei se entendi como sobreviver

Parecem tijolos, mas são marcas... amontoadas
Prensadas em blocos multiformes
Galeria tosca. Fazer o quê?
Nem sempre caminhamos pelos caminhos que desejamos
E nem sempre acertamos o caminho que escolhemos.

E vivemos o que não cultivamos,
Escolhendo sempre o que não plantamos
Colhendo, por vezes, tristezas... desilusões
Lágrimas que não rolam, sorrisos que congelaram na face.

Mas amanhã o céu estará azul. Vale a pena acreditar
Em algo que se crê ou em que se espera
É a vida. São momentos. São os sonhos
E se as pontas desta muralha se encontrarem?

Algum dia a gente sempre aprende...
Quem sabe, ao menos, a gente entende...
O que todas essas marcas deixaram...
Pra que todas essas lições serviram.

Riva Moutinho 18/07/2003

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Stanley Jordan: Stairway to Heaven

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

QUALQUER DIA


Entre arbustos e solidão, lembro dos seus olhos
Tantas palavras vazias
E alguns sonhos que se perderam.
Nem toda mentira mostra o que você quer ver.

Perdi meu rumo.
Encontrei meu esconderijo
Se tudo fosse cantar as músicas que gosto de ouvir...
Se toda dor, fosse apenas uma dor...

Afrodite se embriaga no quarto ao lado,
Perséfone levou Adônis e não há o que fazer.
Me diz se é só saudade ou se é decepção.
Tanto que se foi sem mostrar a direção.

E agora só lembranças
E agora tanto faz.
Cada um escolhe o que julga agüentar.
Toda cabeça se sentencia quando menos se espera.

O amor não me interessa
E nem os jogos que ele cria.
Pode ser que esteja errado,
Mas ainda sou eu.

A porta está aberta se quiser entrar
Mas quando escurecer lembre-se de deixar a chave sobre a escrivaninha.
Sai pra respirar
Qualquer dia, quem sabe, a gente se vê.

Qualquer dia a gente percebe o que aconteceu.

Riva Moutinho 04/11/2009

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